sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Prefeitura investiga se fogo na favela foi ateado pelos próprios moradores


Prefeitura investiga se fogo na favela foi ateado pelos próprios moradores



Em visita à área incendiada da favela Tiquatira, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, o secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Ronaldo Camargo, confirmou que a administração municipal trabalha com a hipótese de que o fogo de hoje tenha sido ateado pelos próprios moradores como forma de conseguir a inclusão em programas sociais de moradia.
Veja imagens do incêndio

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Policiais militares e mesmo homens dos bombeiros contam, pedindo para não serem identificados, que moradores relataram ter visto um grupo de pessoas provocar intencionalmente o incêndio.

O secretário, que assumiu a existência desta suspeita, disse que no último incêndio na Tiquatira, no começo de julho, habitantes que supostamente perderam suas casas na ocasião já tentaram burlar os controles oficiais, para conseguir duplicar seus benefícios, ou seja, moradores que já estavam inclusos em programas habitacionais buscavam ampliar suas gratificações.

Por conta desses episódios – e considerando o fato de que este é o 2º incêndio na favela em um mês – o secretário disse que está sendo feito um rigoroso cadastro de quem teria sido afetado pelas chamas de hoje, em levantamento que irá cruzar as listas de candidatos aos projetos de moradia do governo.

Camargo disse que nesta sexta-feira (13) 100 barracos foram destruídos pelo fogo, sendo que 80 deles já estavam vazios. No total, a prefeitura estima que 2.000 famílias moravam no complexo Tiquatira. Dessas, 300 já estão em fase de ser atendidas pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e 760 já recebem o chamado bolsa-aluguel.
Saiba mais



A reportagem do UOL Notícias percorreu algumas ruelas da favela após o trabalho de rescaldo dos bombeiros. Os próprios moradores afirmam que o clima no local é de desocupação já que a prefeitura anunciou que irá extinguir todo o complexo da Tiquatira, incluindo os moradores em programas habitacionais.

Um morador que diz estar há 12 anos na região, pedindo para não ser identificado, mostrou um documento da CDHU o convocando para comparecer ao escritório do órgão para iniciar a papelada para seu futuro apartamento. O documento foi assinado a primeira vez no dia 30 de junho. Ele, entretanto, confirmou que os moradores que não ainda foram beneficiados nem incluídos em listas oficiais estão insatisfeitos e poderiam ter tentado atear fogo criminosamente para conseguir a inclusão no programa. "Ninguém viu, mas o povo comenta. E se alguém tivesse visto, também não iria falar", disse.

Vítimas
Por volta das 20h40, cerca de dez carros do Corpo de Bombeiros ainda estavam no local do incêndio, que foi completamente extinto. Segundo o Corpo de Bombeiros, duas vítimas com ferimentos leves – uma sofreu um desmaio e a outra teve um ferimento no punho – foram encaminhadas ao pronto-socorro do Tatuapé. Nenhuma delas sofreu queimaduras.

Na favela, já é possível ver os barracos que sobraram, novamente iluminados pelos moradores que começam a voltar para suas casas após o final do fogo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Índice que reajusta aluguel desacelera na primeira prévia do mês, diz FGV

A inflação mensurada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços -- Mercado), usado como referência na maioria dos contratos de aluguel, aumentou 0,14% na primeira prévia de julho, ante variação de 2,21% no mesmo período de junho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Nos últimos 12 meses, a variação do índice foi de 5,78%; no ano, de 5,84%. O período analisado vai do dia 21 de junho até o dia 10 de julho.


O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) registrou variação de 0,19%, na primeira leitura de julho. No mesmo período do mês de junho, a taxa foi de 3,14%. A taxa de variação do índice referente a bens finais avançou de -0,65% para 0,01%. Contribuiu para este movimento o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de -2,66% para 0,37%. No estágio dos bens intermediários, a taxa de variação passou de 1,37% para 0,18%. A maior contribuição para esta desaceleração partiu do subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa passou de 1,58% para 0,14%.

O indicador referente a matérias-primas brutas registrou variação de 0,45%. No mês anterior, a taxa foi de 11,26%. Os itens que mais contribuíram para a trajetória de desaceleração deste grupo foram: minério de ferro (75,25% para -0,63%), leite in natura (5,46% para -3,46%) e milho (em grão) (2,20% para -1,91%). Com taxas em alta, destacam-se: cana-de-açúcar (-4,35% para 4,32%), bovinos (-0,75% para 1,35%) e café (em grão) (0,42% para 5,68%).

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou no período um recuo de 0,31%. No mesmo período do mês anterior, a taxa teve variação negativa 0,26%.

Apresentaram aceleração os grupos: alimentação (-1,52% para -1,16%), despesas diversas (-0,08% para 0,16%) e saúde e cuidados pessoais (0,37% para 0,39%).

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) apresentou, nesta leitura taxa de 0,89%. No mesmo período do mês anterior, a taxa foi de 2,18%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços registrou variação de 0,61%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,89%. O índice que representa o custo da mão de obra apresentou variação de 1,17%, no primeiro decêndio de julho. Na apuração referente ao mesmo período do mês anterior, o índice variou 3,57%.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Kassab sanciona lei do IPTU progressivo para imóveis ociosos em São Paulo

SÃO PAULO – O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab sancionou nesta quinta-feira (1) a lei que institui o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) Progressivo no Tempo para imóveis vazios ou subutilizados nas chamadas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) da capital. A lei será publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (2).

O objetivo do IPTU Progressivo é combater a especulação imobiliária de imóveis ociosos, que ficam fechados ou subutilizados à espera de valorização ou de mudança de zoneamento, o que impede seu uso como moradia. Eles podem ter aumento gradativo de até 15% no imposto e até ser desapropriados para função social.

A maioria desses imóveis está localizada nas ZEIS 2 e 3 e na Operação Urbana Centro, áreas voltadas para habitação. Somente no centro expandido da cidade, existem 400 mil imóveis vazios.

“Foi um debate aprofundado para que o solo tenha função social, ou seja, para que o imóvel ocioso beneficie a população excluída”, declarou o autor do Projeto de Lei, o vereador José Police Neto (PSDB) quando o texto foi aprovado na Câmara, na terça-feira (29). "São Paulo será o primeiro município do País a regulamentar este instrumento previsto na Constituição Federal. Será uma forma de ter uma cidade mais justa e sustentável”.

Maior oferta

Para o Secovi-SP (Sindicato da Habitação), a medida fará com que os proprietários disponibilizem seus imóveis de forma mais rápida ao mercado imobiliário, aumentando assim a oferta e unidades e, consequentemente, diminuindo o valor do aluguel.

“Muitas vezes o proprietário mantém um edifício fechado como reserva de valor, à espera de uma oferta atraente pelo prédio inteiro. O IPTU progressivo fará com que ele coloque à venda esses apartamentos e aumente a oferta de imóveis em áreas como a região central. Ali faltam bens para locação, e, com a maior disponibilidade de unidades, o preço dos aluguéis tenderia a cair”, explicou o diretor de Legislação Urbana do Secovi-SP, Eduardo Della Manna.

sábado, 26 de junho de 2010

O COLONIALISMO NÃO ACABOU.

pode ser mais um dos tantos achismo que tenho. Não me importo.
Escreverei assim mesmo. Tenho a mesma impressão quando abro o jornal.

... é o seguinte,

desde 2008, com a crise econômica - registro minha também opinião "achada" de que essa Crise foi a única que mudou a estrutura do Capitalismo. Quando o maior sistema financeiro do mundo passou a ser comandado pelo Estado (não, não foi um retrocesso ao Neo-liberalismo). O que ocorreu foi o rompimento da estrutura capitalista "laissez faire, laissez passer". Mas isso não é tudo. Foi também a primeira vez que ouvimos falar em cifras nunca antes citadas. Tantos zeros que cheguei a ter a impressão de que o dinheiro em si era realmente uma invenção do homem.

Bueno, proctologia a parte .. vou ao que interessa.

As consequências.

► Esvaziamento dos cofres públicos para pagar dívidas privadas.
► retração econômica
►abalo de confiança financeira (é aqui que eu consigo entender quando dizem que a economia é uma ciência da humanas)
► Paralisação dos inventimentos Estatais (países desenvolvidos)

é sobre esse último item que eu vejo o bixo pegar.

Enquanto os afetados diretamente pela crise pararam seus investimentos - a princípio houve uma certa campanha desenvolvida por eles mesmos para que o mundo voltasse a consumir sem nenhum receio - e foi o que ocorreu na maior parte do planeta (vide o Brasil). A França lançou editais públicos para a revitalização de toda a Paris, a Alemanha fez o mesmo. Seguia-se o clima dos grandes investimentos Estatais. REMODELAÇÃO URBANA para rodar a economia. No Brasil, o governo LULA lançou o PAC como política de investimento direto para que a economia não estaguinasse. O povo brasileiro acreditou, perdeu o medo que pairava no ar. Nossos cofres obtiveram receita e nunca se gastou tanto como nesses três últimos anos. Aparentemente estamos bem, obrigado.

Mas é aqui que minhas pulgas começam a gritar.

ok, temos um mercado consumidor interno bastante expressivo. Capaz de absorver grande parte de nossas produções. Entretanto, mesmo eu que não sou nenhum economista, sei que existe outra balança que talvez seja muito mais importante que a nossa interna. Sim, falo da balaça com o mercado externo, essa é perigosa e para qualquer leigo, também, fica muito evidente: é lá que está o capitalismo. Econômia Global.

Analisemos o contexto de agora/pós crash imobiliário.

► Quebradeira na Europa
► Grécia Falída
► Espanha com a taxa de 20% de desemprego (prestes a quebrar)
► Portugal prestes a quebrar
► Zona do EURO ameaçada de extinção

.... e OBVIAMENTE nenhum dos projetos de remodelação urbana (investimentos do Estado) sairam ou sairão do papel.

O que acontece hoje, agora - Junho de 2010 - é o fechamento do mercado europeu aos paises emergentes.

Não precisamos de mais muitas palavras para concluir o que minhas pulgas querem dizer:

O Brasil deixará de exportar. A China deixará de exportar. A India deixará de exportar.

Já entenderam o que vai acontecer quando começar a sobrar produtos chineses, brasileiros, indianos (e todos aqueles que compõem o G20) no mundo ?

Calma que o problema nosso ainda não é só esse.

No caso do Brasil, a brilhante estratégia política economica de investir maciçamente em infra estrutura (cada vez mais vejo que estamos mais próximos da década de cinquenta) para garantir, SOBRETUDO, base à economia global - aeroportos, portos e energia. Começa a não fazer muito mais sentido, uma vez que o mercado externo está em crise. Assim, nosso dinheiro - dinheiro público - mais uma vez está indo para obras visando o melhoramento para uma minoria. Investimentos Estatais/Públicos macros voltados aos interesses micros/privados - não podem dar certo.

Vejam a lógica que consegui chegar:

Nossos investimentos hoje estão sendo pagos com dinheiro público. O que quero dizer é que nos afastamos daquele tipo de desenvolvimento atrelado ao capital extrangeiro - que o Brasil pega emprestado para construir, por exemplo. O que chamamos hoje de crescimento sustentável. Bem diferente daquele vivido nas décadas de 50/60 e o "milagre economico", na Ditadura.

O nosso maior problema talvez esteja aqui: ESTAMOS GASTANDO SEM PARAR. As obras do PAC não foram concluídas, e estão longe disso. Já gastamos muito para "incentivar a economia".
Com o fechamento dos principais mercados mundiais aos produtos brasileiros como teremos superávite ? (resultado favorável da balança comercial entre o que o Brasil exporta e importa)

Nosos investimentos internos (infra e remodelações urbanas) estão garantidos até sua completa finalização somente com os impostos arrecadados pelo mercado interno ? O que pergunto é: O Brasil pode pagar por todo esses investimentos sem precisar do mercado externo?

Acredito que não.

Por isso digo que O COLONIALISMO NÃO ACABOU

Prestem atenção ao que minhas pulgas dizem:

Quando os paises emergentes entrarem em conflito entre si por mercados aos seus produtos (isso me faz lembrar claramente o motivo da Primeiro Guerra Mundial - disputa por mercados). Mais uma vez, volto a lembrar, os principais mercados estarão fechados.

Todos os investimentos Estatais pararão por falta de dinheiro.

► voilá

Todos nós sabemos que se existe dinheiro, ele está concentrado nos paises desenvolvidos. Mesmo que esses estejam em crise.

Se nós, Brasileiros quisermos continuar com nossas obras faraônicas, nosso Belo Monte, nossas Brasílias teremos que pegar, NOVAMENTE, dinheiro emprestado. E adivinhem de quem ?

A que juros ?
Estaremos encabrestados novamente.

Isso na melhor das hipóteses. Na segunda, a pulga malvada, me diz que é muito mais rápido ganhar dinheiro ao vender armas a quem estiver brigando.
► Caças franceses .... e por ai vai.

Eles não são bonzinhos, nem precisam de água encanada.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sem-teto fecham trecho novo do Rodoanel nos dois sentidos

Cerca de 600 sem-teto ligados ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) bloqueiam desde as 10h50 desta quarta-feira (16) as duas pistas do trecho sul do Rodoanel na região de Itapecerica da Serra. A Polícia Militar Rodoviária está no local para negociar a desobstrução da via. Não há informações da extensão do congestionamento em decorrência do bloqueio.

Para fechar a via, os manifestantes utilizaram pneus e madeiras, segundo Vanessa de Souza, uma das lideranças do movimento. Por volta de 13h, uma faixa sentido via Anchieta foi liberada. Os sem-teto protestam contra o despejo de 900 famílias que integram a Ocupação Che Guevara, no município de Taboão da Serra (Grande São Paulo), montada há cerca de dois meses, de acordo com Souza.

Uma liminar de reintegração de posse foi expedida para desocupar o terreno, que possui 86 mil m². Os manifestantes exigem que o governo desaproprie a área e construa um conjunto habitacional para as famílias.

O MTST exige também que o governo do Estado construa moradias para atender milhares de famílias sem-teto que vivem nos municípios de Taboão da Serra, Embu e Itapecerica da Serra. De acordo com o movimento, o governo prometeu atender as famílias em 2007.

A reportagem do UOL Notícias entrou em contato com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), ligada à Secretaria Estadual Habitação, mas ainda não obteve uma posição do órgão.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Historinha




Há tempos venho ensaiando para me colocar em posição e a favor da escrita novamente. Não faço isso desde o termino do meu primeiro livro – “BioUrban, você sente o que explica?”.

A verdade é que eu precisava do distanciamento temporal para me desintoxicar de minhas próprias historias e mentiras.

Quase tive medo da escrita.

Não conhecia seu poder e fascínio. Nunca havia sentido antes tão sublime gosto. O que fazia era escrever sobre trivialidades e, no máximo, deixar que uma ou duas pessoas lessem tamanho disparate de uma mente egocêntrica e juvenil.
Hoje, sei que as palavras me saem sem esforço ou medo. Sei o que escrever e tenho perfeita condição para me portar a tal exercício. É por isso que me ponho a frente desse computador, para ver as letras formarem palavras e, assim, registrar duas idéias que me despertaram tamanho interesse.

Venho refletindo a respeito dessas (novas idéias) há, no mínimo, dois anos. Escreverei sobre urbanismo paulistano e sua gentrificação para os próximos dez anos e tentarei unir o assunto a um tema que dispenso boa parte do meu tempo em construções e críticas: arte contemporânea, o grafite e a pixação no contexto ambiental de uma cidade como são Paulo.

Ontem, também de madrugada, meu pai acordou mais cedo que de costume para ir trabalhar. Ele levanta às cinco e meia da manhã diariamente para enfrentar um dia de trabalho que percorre dois períodos: manhã e tarde. Ocupando, também, boa parte de seu tempo entre o percurso do ir e vir, o restante ele passa consertando maquinário pesado da indústria pneumática e hidráulica. Questões físicas sempre permearam minha educação. Começamos a conversar sobre a cidade de São Paulo.

Dizia ele que (a nova lei do inquilinato é boa). Disse assim, jogada no silêncio da madrugada com cheiro de café passado em coador de nylon. Sem justificar ou discorrer argumentos, eu já sabia o que significava. Ele queria ouvir minha opinião, caso eu já tivesse uma formada. O uso da lingua, em minha casa, sempre foi de função cortante. Mantê-la afiada, era o primeiro exercício.

Sentado em uma cadeira na cozinha e levemente encurvado, como um caracol sem casa, sobre a mesa, mantive-me em busca da melhor posição para terminar de pintar uma ripa de madeira. Reposicionei o corpo como quem está prestes a fazer o grande discurso de sua vida. Mas não era para tanto. A curva. O assunto era a lei e eu estava na cozinha, quase vesgo de tanto forçar os olhos em linhas muito finas e meu pai nem ao menos tinha penteado o cabelo.
Mesmo assim era minha chance de ensinar o velho. O que se pode fazer com algumas palavras bem elaboradas e justapostas. Uma aqui, outra acolá e pronto. Está pronto um discurso político capaz de angariar votos de quem quer que seja que acorde às cinco da manhã.

Trabalhadores!


Assim comecei.

Pai,
A lei de inquilinato só favorece ao proprietário do imóvel que agora possui grande aparato jurídico para expulsar quem quer que seja de seu imóvel e em um prazo ínfimo.
Eu já esperava os ordinários contra-argumentos:

“mas agora com essa lei será mais fácil alugar, eles (os proprietários) não exigirão esse monte de coisa que eles exigem”, e “ficará mais fácil para alugar e o preço do aluguel vai cair, porque os proprietários agora não terão medo de alugar seus bens”.

Era tudo que eu precisava ouvir para massacrar esse argumento, como barata, com uma pata quebrada se arrastando pelo chão da cozinha. Fácil. Sem escândalo e ela sem saída, assim, eu usaria todos os meus 80 kilos contra as fracas palavras. Estava muito fácil.

Pai,
Só na cidade de São Paulo existe um déficit habitacional de 1,5 milhão de moradias. O que significa que não existe casa para todos. Nem se todos os imóveis estivessem disponíveis para aluguel.
A nova lei de inquilinato vem acompanhada de uma série de medidas políticas e judiciais que seguirão pelos próximos anos. Primeiro modifica-se a lei para depois intervir diretamente na estrutura física da cidade. O que a prefeitura de São Paulo está fazendo é garantir os direitos dos proprietários de imóveis para depois realizar a maior gentrificação que já existiu na historia da Cidade de São Paulo. Outras leis, como o plano diretor da cidade e as novas políticas de investimentos sociais beneficiarão somente um pedaço da cidade. A prefeitura não mais expandirá os investimentos do Estado para além de um raio imaginário previamente demarcado por arquitetos e urbanistas, políticos, sociologos e alguns segmentos econômicos. Estamos copiando modelos já existentes.

São Paulo diminuirá. Cidade Compactada.

Imaginemos.

A partir de hoje a Prefeitura e o Governo do Estado só investirão em obras que estão dentro desse tal raio previamente demarcado após promulgado o novo Plano Diretor da Cidade de São Paulo. Tudo ou qualquer outra coisa que esteja fora desse espaço será esquecido ou dissimulado. Inexistente, excluído, banido, deixado para fora. (Já ocorre sem lei. Imagina com Lei)
Primeiro fortaleceremos os donos de imóveis para que a lei os proteja, garantindo assim o direito à propriedade privada como garante a constituição brasileira. Depois exterminaremos todas as favelas e cortiços que estejam dentro do raio.

Voilá

Criaremos a cidade perfeita.

Com infra-estrutura e qualidade de vida para os PAULISTANOS (ou qualquer outro que tenha dinheiro para viver em SP).

O que eles não falam meu pai é que a grande maioria das pessoas (nordestinos e negros, sobretudo) não poderão mais morar próximos, por exemplo, da Avenida Paulista, do Centro ou da Berrine. A maioria das pessoas que vivem em São Paulo não são proprietários de onde moram. Elas terão que sair, pois não conseguirão pagar os alugueis. Porque o IPTU subirá correspondente aos investimentos que o Estado fizer na região. E por um raciocínio lógico, sem muito esforço, nós sabemos que quando sobe o imposto predial o aluguel aumenta.
A população que vive em cortiços, casas ou apartamentos alugados próximos a áreas com grande infraestrutura e aparato socio-cultural darão lugar para um outro tipo de morador que chegará junto com os investimentos bilionários. Você já percebeu que as placas de informação e destino do metro já estão sendo trocadas por comunicação bilíngüe? (inglês)

Neste momento o café fica pronto e o aroma irresistível toma conta da casa.
Em uma velha caneca de porcelana, suvenir de uma viajem ao Chile, ele coloca café com leite. Enquanto observa o pão com manteiga sendo aquecido na torradeira Black & Decker. Combinação realizada há mais de cinqüenta anos nesta casa.


“Não. Eu não percebi isso não.”
“e porque está assim?”

Ora meu pai, o Brasil não sediará a copa em 2014 e o Rio de Janeiro, as Olimpíadas? Pois então. O Estado começou a trabalhar desde já. Mas veja bem, não se iluda com a palavra “trabalhar”. O Estado está reformulando e ampliará as vias e transporte, comunicação e uma serie de outras bem feitorias que são necessárias para abrigar esses tipos de eventos internacionais. Capitalismo Global. São exigências que serão atendidas porque o Brasil assinou o acordo para modificar essas estruturas e, assim, receber os turistas, que virão em decorrência do esporte, de uma maneira bem próxima ao dos países deles. Com isso, meu pai, a cidade e todos que moram nela sofrerão o transtorno causado por uma modificação rápida e que visa somente atender as especificidades daqueles que chegarão ao país com DINHEIRO. A cidade, ou parte dela - essa parte que eu já disse do raio imaginário - sofrerá profundas modificações. A cidade do Rio de Janeiro será aquela que mais vai sofrer.



continua ....

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Publico

acabo de tornar publico a ideia PF - Partido Favela.
publiquei no facebook. Tenho pensado muito em criar esse partido.


Tempo Organico